Split Field Coverages vs 3×1

Escolhi começar por um exemplo de como defender 3×1 (trips, X ou como quer que você esteja acostumado a chamar) utilizando coberturas diferentes de cada lado do campo. Este é o jogo entre Wasa Royals e Kuopio Steelers, valido pela semana 2 da Vaahteraliiga 2019 (Finlândia). A situação é uma 2nd & 10, no primeiro quarto.

Utilizarei a identificação W-X-Y-Z para receivers, T para half backs, H para sniffers e F para full backs. Sei que alguns coaches têm preferência por outros sistemas de identificação, mas este é o qual estou acostumado.

Nossa defesa, na maioria das chamadas, ajustava a cobertura dependendo da quantidade de receivers do seu lado do campo (safeties fazendo a chamada). Neste snap, estamos executando quarters no lado forte e trap 2 no lado fraco.

O Field Corner é responsável pelo primeiro jogador vertical no seu lado. Free, pelo segundo. Nosso Nickel lê o release do #2 (X) para fazer sua comunicação pós snap com o seu lado do campo e, depois, cobre o primeiro jogador que fizer uma rota em direção à sua sideline. O Mike posiciona-se um pouco mais afastado de seu alinhamento original para fazer a parede no #2 final (ou seja, o segundo jogador mais externo após o snap). O Will tem a mesma responsabilidade, mas para o #3 final. Além disso, caso o #3 faça uma rota vertical, o Will é responsável por ele. Sim, estamos pedindo para um LB cobrir um slot receiver. Porém, nós sabíamos que o matchup era favorável, já que o nosso Will LB era um import da NCAA-DII com velocidade e tempo de reação suficientes para essa função.

No outro lado do campo, nosso Boundary Corner deve “cortar” a frente do #1 rapidamente para defender rotas rápidas internas, antes de voltar seus olhos para o backfield para scrambles do QB ou rotas do RB. Este, inclusive, é o ponto negativo deste snap, já que o nosso BC permitiu que o W tivesse um release interno (que seria favorável a ele caso estivesse realizando uma rota como short in ou slant). O Rover é o responsável por rotas verticais do #1 após ele passar do nível do BC.

Neste ponto, a comunicação e a identificação de quem está indo para onde é essencial. Aqui podemos observar o que a defesa está lendo no release dos receivers. O Mike tem visão do X (#2) e do Y (#3), e imediatamente sinaliza a rota para fora do Y. O Nickel tem seus olhos no X e prontamente comunica seu release interno. Neste ponto, o Nickel sabe quem deve cobrir: o Y, já que ele é o “1st out” (recebedor mais externo pós-snap). O FC tem seus olhos no Z (#1) e, assim que este receiver ultrapassa o nível do Nickel, ele sabe que está em man coverage. O mesmo vale para o Free: no momento em que ele percebe o corte do Y em direção à sideline, ele sabe que a única ameaça de #2 vertical é do X. A partir de agora, ele também está em man coverage.

O Mike sabe que deve fazer a parede no segundo jogador mais externo. Por isso, ele mantém seus olhos no X e, com o seu release vertical, recua até a marca de 10 jardas para prevenir curls ou digs do X ou até mesmo do Z. O Will rapidamente identifica o Y correndo para a flat. Agora, ele sabe que não há ameaça de #3 vertical ou #3 cruzando o campo vindo do lado forte. Ele pode recuar até 10-12 e manter seus olhos no backfield para QB scrambles ou rotas do RB.

Novamente, no lado fraco, temos nosso BC utilizando a técnica errada. Ele permite o release interno do W. Pelo menos, após o W percorrer 5 jardas, ele volta seus olhos para o backfield e “fica em casa”. O BC, inclusive, é o responsável por não permitir que a jogada tivesse um grande avanço. O Rover faz bem o seu papel e cobre o #1 em sua rota vertical após ele passar do nível do BC.

Neste ponto podemos ver todos os defensores em seus assignments. O Mike está em posição de ajudar o FC na dig do Z, enquanto o W, sem ameaça do #3, pode auxiliar o Rover na dig do W. O BC mantém seus olhos no backfield, o que é crucial para identificar o QB scramble e fazer o tackle para salvar a jogada.

Durante o snap, podemos observar uma técnica não tão boa do FC, que abre seus quadris muito cedo após o release vertical do Z, mas isso é assunto para outro dia.

Talvez, a única opção real de passe nessa jogada fosse a wheel do Y, já que ele tinha 1 jarda de separação. Porém, a boa identificação inicial de rotas, a comunicação rápida dos defensores em cobertura e a pressão da DL forçam o QB a sair do pocket e sofrer o tackle para um pequeno avanço.

Veja o vídeo da jogada:

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